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Depressão: Vida cinza e sem gosto

Todos nós, durante a vida, estamos sujeitos a diversos problemas, desde os simples até os mais complexos ou doloridos, como a perda de um ente querido, separações, doenças, etc

Todos nós, durante a vida, estamos sujeitos a diversos problemas, desde os simples até os mais complexos ou doloridos, como a perda de um ente querido, separações, doenças, etc. Tais vivências levam as pessoas a experimentarem, no mínimo, um sentimento de tristeza, que é uma resposta à frustração ou a um evento estressante.Tudo isso é considerado normal ao ser humanoe, aos poucos, esta tristeza vai sendo diluída, elaborada, para que a vida prossiga.   

No entanto, para outros, tais situações desencadeiam um estado depressivo onde asensação de tristeza é profunda, duradoura, com maior intensidade e frequência, prejudicando significativamente o funcionamento social, familiar e profissional do indivíduo.

A depressão é uma doença que, apesar de conhecida, nem sempre é levada a sério. Assim, por preconceito ou desconhecimento dos sintomas, é comum que o depressivo passe despercebido aos olhos de quem está próximo. Muitas vezes, ele não deixa transparecer seus reais sentimentos, só que dentro dele pode ter razões suficientes para não querer levar a vida adiante. É preciso prestar atenção.

A mente de uma pessoa depressiva funciona através da culpa, em um ciclo vicioso. Quando algo dá errado, é comum atribuir a si mesmo a razão daquela decepção, alimentando com frases do tipo “nada que eu faço dá certo”. Esta incapacidade de reconhecimento positivo das próprias ações desencadeia um estado de desânimo que leva, na maioria das vezes, ao isolamento. Ele não consegue produzir, tomar decisões e se cansa até para realizar tarefas básicas, sentindo-se inútil.

Os pensamentos negativos é uma das características do depressivo que, por pensar tanto no problema, tem um desgaste mental muito grande, levando-o mais ainda à indisposição, intensificando sua dor. Procurar ajuda neste momento é a recomendação de todos que estão a sua volta, mas, por incrível que pareça, não é uma atitude simples para o depressivo, principalmente para aqueles casos em que a doença não surge da noite para o dia.

Isto porque a depressão nem sempre ocorre somente, ou imediatamente, após um evento traumático, como uma perda. Ela pode se instalar devagar, silenciosamente, através da pressão diária das próprias responsabilidades, de lutos não elaborados ou mágoas mal diluídas e que levam pouco a pouco à redução do tempo de lazer e dos vínculos sociais, diminuindo a autoestima da pessoa. Tudo isso pode acontecer ao longo de meses ou anos. Assim, quando o depressivo percebe a vida sem sentido, ele não sabe definir com exatidão o ponto de partida que desencadearam os sintomas.

A forma como cada um enfrenta o distúrbio é particular, bem como a intensidade dos sintomas e as causas, o que incide nas formas de tratamento. Os traços da doença originam-se no cérebro como resultado de um desiquilíbrio químico e que reduz a quantidade de neurotransmissores fundamentais para a regulação do humor e da ansiedade, como a serotonina e a noradrenalina. Por isso a importância da medicação, que difere de pessoa pra pessoa. No entanto, o processo de cura psíquica é único, ou seja, através do autoconhecimento, que possibilita as descobertas de recursos internos mais saudáveis para lidar com as dificuldades.

Encarar a crise depressiva é uma forma de reavaliar o funcionamento dinâmico das próprias emoções, das expressões afetivas, reconstituindo seu modo de ser. Não é uma tarefa fácil e nem para ser cumprida sozinha, sendo fundamental o apoio de familiares e amigos nesse processo de superação.

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